A Síndrome do 9, do 90 e do 99

abril 22nd, 2006

Até hoje tenho a sensação de que querem me fazer de tolo – ou no popular, de besta -, quando vejo grande parte dos anúncios com aqueles frequentes (me parecem perenes) noventa e nove centavos ou, em outros, noventa centavos, nove reais, noventa reais e até noventa e nove reais, no preço da grande maioria das mercadorias a venda. É o caso das velhas e conhecidas lojas qualquer coisa por um e noventa e nove, para citar um exemplo. Talvez, a gente ache até mais bonitinho do que lojas com qualquer coisa a dois reais, ou será que é pura consequência da propaganda martelando o nosso pobre inconsciente?

É como se tivessem nos induzindo a acreditar que o produto a venda é muito mais barato do que dois reais – tomei o exemplo apenas como efeito didático e não que eu tenha alguma “implicância” com essas lojas. Realmente é, mas representa uma parcela tão pequena e insignificante – 0,005% – que a tendência é o consumidor individualmente pagar os dois reais. E daqui pode-se inferir, agora analisando o lado do comerciante, o que esta ínfima importância pode representar em um volume significativo de vendas.

Já pensaram o drama que seria se todos resolvessem comprar, em cash, apenas um item e exigissem o troco completo? Ainda mais que o Banco Central está retirando de circulação as “grandes” moedas de um centavo?

Retomando o foco. Já me disseram que essa atitude se trata de técnica de Marketing. Sempre me incomodo – não sei bem porque, mas não é caso de análise – com o fato, mas nunca tive a ferrenha vontade de pesquisar sobre o assunto. Fico sempre com a dúvida e levanto, cá comigo mesmo, até outra hipótese: será que tem a ver com recolhimento de impostos (do valor tal ao valor tal paga-se tanto por cento)? Mais para me trazer uma satisfação pessoal do que por acreditar.

Certamente, por qualquer que seja a razão, a tática (ou estratégia, ou ambas) deve funcionar, pois o método é utilizado há muito tempo e por quase todos aqueles que comercializam produtos. Ou então por causa disso, a maioria dos consumidores já se habituou com o fato, de tal modo, que passou a fazer parte, naturalmente, de seu cotidiano. E os comerciantes deixaram a coisa correr para ver como é que fica.

Pessoalmente não acredito e fico a me questionar:

Se for Marketing ou técnica de vendas, acho que venderia muito mais se, por exemplo, a Veja, uma revista de grande circulação, fizesse um ou mais convênios com instituições educacionais ou de assistência social, onde o exemplar custaria R$8,00 e os R$0,10 seriam doados. Pode até ser maluquice minha que não entendo do assunto e nem do porquê dos preços, mas que ajudaria muita gente, ajudaria, e o consumidor, acredito, pagaria sem questionamentos.

Finalmente, encerrando minhas divagações, me parece até que com o advento do “dinheiro de plástico”, tão presente em nossas vidas e que facilitam as compras, pois não há a necessidade do velho troco, a coisa se propagou como “fogo de morro acima, água de morro abaixo e …, que não tem quem segure”.

E eu aqui com esse dilema (VICHE será que é Freudiano?): pesquiso ou não pesquiso? Eis a questão.

Como não pesquisei até hoje, apesar do “incômodo” que sempre me causa, se você quiser me ajudar a solucionar o dilema coloca sua opinião nos comentários, por favor!!!.

Nenhum artigo relacionado.

Posts relacionados trazidos a você pelo Yet Another Related Posts Plugin.

Categorias: Informativo,Pessoal

Imprima este artigo | Envie este artigo para um(a) amigo(a) | 19.727 views

1 Comentário Adicione o seu

  • 1. Flávio A. Freitas&hellip  |  julho 25th, 2010 at 17:39:51  |  201.58.13.10

    A razão é que nós lemos da esquerda para a direita. Daí, percebemos primeiro os números que estão à esquerda. Se uma mercadoria custa 8000,00, mas o dono vende a 7999,99, a diferença é tão irrisória em termos de valor, mas grande em termos de percepção, pois o comprador verá o 7 no lugar do 8 e, inconscientemente ‘sentirá’ o valor 7000 e não 8000, ou seja, uma diferença de 1000 reais. Essa diferença ‘percebida’, muitas vezes, faz com que o comprador adquira o produto.

Deixe seu Comentário

Obrigatório

Obrigatório, (não publicado)

São permitidas as seguintes tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed

Notifica, via E-Mail, sobre novos artigos publicados no VICHE. Ao fazer sua inscrição você receberá uma mensagem em inglês no E-Mail informado abaixo, com um link, para que o serviço seja ativado. Basta então clicar nesse link para que você passe a receber as notificações.

Delivered by FeedBurner